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domingo, 9 de março de 2014

Uso da bermuda no ambiente de trabalho entra em debate no verão


Comum nos ambientes informais, ela tornou-se foco de debates. Para reivindicar seu uso, ganhou um código e um site e foi substituída até por saias. A bermuda ganhou as páginas de redes sociais e meios de comunicação como um ícone do bem estar durante o verão. Proibida em muitos ambientes de trabalho, o questionamento quanto à sua validade extrapola as questões de conforto físico, expondo costumes culturais e sociais brasileiros.

Diversas lojas utilizam uniformes, muitas vezes não pensados para as altas temperaturas. Na Breithaupt, a calça é indispensável. Além de questões de segurança, a aceitação da loja junto ao público consumidor é o motivador das vestes mais longas.

_ Como iríamos vestir uma bermuda para atender ao público? O cliente não iria gostar. Mas estamos tentando aprovar um uniforme social, com tecidos mais leves _ conta a gerente de uma das lojas, Andréa Messerschimidt.

Quem tem a possibilidade de trabalhar com roupas mais curtas, comemora. Na Sol Paragliders, os funcionários recebem as instruções sobre a vestimenta no momento da integração. Lá, não há uniformes e tanto bermudas quanto sapatos abertos são permitidos, segundo o coordenador de recursos humanos da empresa, Arnaldo Altini Júnior.

_ Creio que ajuda na produtividade, pois eles se sentem mais à vontade.
Funcionários como a Daiane Wengrzynek, 17, que é auxiliar de produção, aprovam a medida.

_ Com a bermuda me sinto melhor, dá mais vontade e disposição para o trabalho _ conta.

Mas permitir que cada um utilize a roupa que mais gosta não significa que não existam regras. Na Sol Paragliders, é indicado que o comprimento das bermudas não seja menor que quatro a cinco dedos acima do joelho. Blusas devem evitar decotes exagerados e pede-se que os calçados abertos sejam presos aos pés, por segurança. Trabalhando na área de montagem, Everton Ricardo Linhares, 19, segue as regras. Ele evita chinelos, mas a bermuda é peça indispensável durante o verão.

Para o professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Rafael Rodrigo Soares, é necessário bom senso das empresas ao vestir os funcionários.

- Contemporaneamente, a moda visa o conforto e o bem estar. Seria interessante pensar em uniformes adequados, que cumprissem com sua função, mas com conforto.

Mas escolher a roupa certa para a estação também é uma questão de saúde. O dermatologista André Bond Carrenho explica que roupas longas e pesadas podem ser prejudiciais, em especial à pele. Ele indica que o ideal é escolher peças que evitem o suor.

- Roupas de tecidos sintéticos e muito coladas ao corpo podem causar dermatites, especialmente nas dobras como axilas e antebraços. A seborreia, forma mais leve da caspa, também pode surgir, tanto nas dobras quanto no tórax, nas axilas e até na virilha.

André explica que o melhor seria manter os ambientes de trabalho refrescados. Quando isso não é possível, o ideal é optar por roupas largas e de tecidos naturais, como o algodão e o linho.

A imagem como comunicação

O terno, vestimenta por excelência de advogados, juízes e promotores, não é dispensado nem quando as temperaturas ultrapassam os 35ºC. A exceção surgiu neste ano: no Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, os Tribunais de Justiça liberaram o uso do terno e da gravata durante o verão _ apenas audiências ainda exigem o uso do traje completo. A calça e a camisa formal ainda são indispensáveis, porém, a medida indica mais flexibilidade no que tange à vestimenta. Em Santa Catarina, entretanto, a formalidade ainda é necessária. Para o advogado Pedro Henrique Conte Damasceno, da Roslindo Advogados Associados, trajar uma roupa mais confortável seria bom.

- A prática jurídica diz que o terno é a roupa correta a ser utilizada. É praxe. Mas aqui fazemos trabalhos externos e sair do ambiente climatizado é complicado. Temos audiências e muitas salas de espera não têm ar condicionado. Nesses espaços, ao menos o terno esconde a transpiração.

A técnica de moda do Ifsc, Emanoela Mardula, confirma a relação do terno com um status de responsabilidade: ele é um símbolo de poder para o mundo do trabalho. Além disso, o uso do terno remete à uma característica cultural brasileira, que vai além da moda: a adesão a costumes europeus. Foi lá que o terno surgiu, em meados do século 18. Se no começo ele não era associado ao status social, sendo utilizado como uma espécie de pijama, hoje tornou-se simbólico.

COM ELEGÂNCIA

Confira dicas para usar bermuda sem erro

- Invista em modelos com comprimento na altura dos joelhos ou levemente acima do joelho.
- Opte por cores neutras, sem estampas.
- A combinação entre camisa e bermuda veste bem e já foi aposta nas passarelas internacionais.
- Para os pés, mocassins são uma boa opção
- Quem quer evitar o frio dos condicionadores de ar, pode vestir o blazer sobre a camisa.

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tena da eskai

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